Um novo texto

Às vezes, eu sinto uma centelha de esperança e isso me inspira a fazer coisas boas. Nesses momentos, sinto uma felicidade genuína, quase surpreendente, porque, na maior parte do tempo, meus pensamentos são sombrios. Eu me pego refletindo sobre o quão cruel o mundo pode ser e, muitas vezes, sinto que não pertenço a ele. Mas o que posso fazer, se sou bipolar? Essa é a minha realidade. Preciso aprender a lidar com os altos e baixos, a reconhecer minhas sombras sem deixar que elas me dominem. Cada um carrega sua cruz, e a minha é pesada… mas, mesmo assim, eu a carrego com a força que tenho, dia após dia, passo após passo.

Viver com o astral mais baixo na maior parte do tempo tem, de certa forma, um efeito colateral curioso: eu perdi o medo da morte. Não sou mais aquela pessoa que se desesperaria diante do fim,  se for pra ir, que seja de peito aberto. Acho que essa consciência acaba sendo, de certa forma, uma libertação. Irônico pensar que este texto deveria ser algo mais alto astral… Talvez eu tenha desviado do propósito, mas tudo bem. Escrevo, antes de tudo, para mim mesma — e, nesse processo, não me importo mais com o julgamento alheio. Porque, no fim das contas, ninguém virá me salvar.

Aprendi a não esperar nada de bom de ninguém. E, por mais duro que isso soe, essa postura me blindou de muitas decepções. Com o tempo, desenvolvi uma percepção mais afiada: comecei a enxergar melhor os olhares, os silêncios, os gestos, os pequenos sinais nas palavras e entrelinhas — tudo aquilo que pode denunciar uma intenção mal disfarçada. A vida me ensinou a identificar essas red flags antes que se tornem cicatrizes.

Esse é o meu pequeno desabafo de hoje. Um dia comum, em que me senti inspirada a dar voz ao que estava guardado em meu peito e na minha memória. Só posso agradecer por ter chegado até aqui. Ainda estou em movimento, ainda estou sentindo, ainda estou escrevendo. E isso, por si só, já é um ato de resistência.

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