Às vezes, me pergunto se ainda há algo em que acreditar. Me olho no espelho e já não reconheço quem sou, ou sequer o que sou. Tento entender meu propósito, se é que existe um. Tento acreditar que há algo maior guiando tudo isso, mas quanto mais busco respostas, mais me perco no labirinto de possibilidades e incertezas. Às vezes, chego a duvidar até mesmo da realidade. Será que esse mundo é real ou apenas uma projeção elaborada pela mente?
A neurociência nos diz que os olhos não veem — eles apenas captam luz. Quem de fato ‘vê’ é o cérebro, que interpreta impulsos elétricos e constrói, dentro de nós, o que chamamos de mundo externo. Isso por si só já me abala. Porque, se tudo o que percebo é uma criação interna, como posso ter certeza de que algo existe além de mim? Pior ainda: a mesma região do cérebro que acessa memórias também é responsável por imaginar o futuro. Ou seja, talvez o passado e o futuro sejam apenas fabricações de uma mente em desespero por sentido.
Quanto mais estudo, mais me confundo. Aprofundar-se demais em certos assuntos é como mergulhar em um oceano escuro — quanto mais fundo, menos ar resta nos pulmões. E quanto mais tento compreender a natureza da existência, mais distante fico de uma resposta definitiva. O que acontece depois da morte? Para onde vou? Para onde vamos? Ninguém pode responder com total certeza. Existem milhares de religiões espalhadas pelo mundo, cada uma com suas próprias versões da verdade. Já existiram inúmeras mitologias antes da era cristã, e muitas outras virão depois. No fundo, todas tentam acalmar o mesmo medo primitivo: o medo do fim, o medo de não haver sentido algum.
Observo o mundo ao meu redor e não vejo liberdade, vejo controle. Sutil, invisível, porém implacável. A comida que como, as roupas que visto, os lugares que frequento, os conteúdos que consumo, tudo parece ter sido cuidadosamente arquitetado para me manter distraída, obediente, conformada. As redes sociais são o novo ópio — viciantes, moldando desejos, opiniões, personalidades inteiras. E o pior é que muitos já não questionam nada. Não buscam. Estão domesticados. O sistema domou suas mentes antes mesmo que pudessem descobrir quem eram de verdade.
Às vezes me pergunto se estou enlouquecendo. Se minhas crises existenciais, minhas dúvidas profundas, são sintomas de uma mente à beira do colapso. Ou será que, na verdade, estou despertando? Será que abri o terceiro olho e finalmente comecei a enxergar além do véu? Será isso um colapso psíquico… ou um despertar espiritual? Estaria eu saindo da Matrix? A verdade é que não sei. Talvez nunca vá saber. Talvez morra com essas perguntas queimando dentro de mim. Talvez a verdade sobre a realidade seja algo que nenhum ser humano jamais vai compreender por completo. E mesmo assim, sigo. Carregando o peso das perguntas que ninguém responde. Vagando entre a dúvida e o desespero, entre a lucidez e a insanidade. Porque, mesmo sem saber, eu sinto. Sinto que algo não está certo. E talvez, só talvez, isso seja o primeiro sinal de que ainda estou viva.