Mudanças

Eu mudei. Por dentro e por fora. Não sou mais aquela pessoa que todos conheciam, aquela menina cheia de sorrisos e alegria que iluminava os lugares por onde passava. Hoje sou outra. Fria, egoísta, amargurada… e, de certa forma, livre. Não foi uma mudança que aconteceu de uma hora para outra; foi um processo longo, doloroso, mas necessário. Desativei minhas redes sociais – Facebook, Instagram, Snapchat – e até troquei meu número de WhatsApp. Apaguei tudo que fazia parte daquela antiga versão de mim mesma. Mudei de nome e sobrenome, virei uma incógnita, alguém que ninguém mais pode encontrar.

Hoje, mantenho contato com pouquíssimas pessoas, e isso me trouxe uma paz que eu jamais imaginava ser possível. Não preciso mais fingir, não preciso mais carregar o peso das expectativas alheias. Deixei minha franja crescer – algo que eu jurava que nunca faria – e, junto com ela, permiti que uma nova versão de mim florescesse. Ganhei uns quilos, troquei de estilo e abandonei aquela obsessão por agradar aos outros. Cada mudança no espelho, cada transformação no meu jeito de ser, foi um passo em direção a algo que sempre desejei: um novo começo.

Não foi fácil. Ainda carrego as cicatrizes do meu passado, ainda sinto o peso de tudo que vivi, das dores que enfrentei, das feridas que demoram a cicatrizar. Mas só de saber que deixei para trás aquela realidade que me destruía um pouco mais a cada dia, sinto uma leveza indescritível. Descobri, aos poucos, que aturei muita coisa que jamais deveria ter tolerado. Permiti que pessoas se aproveitassem de mim, que me sugassem, tudo porque tinha medo de ser rejeitada, de ficar sem chão, sem ter para onde ir.

A falta de estabilidade financeira era um grilhão que me prendia a situações insuportáveis. O mercado não abria espaço para alguém sem experiência, e o pouco que eu conseguia como freelancer era tomado de mim como se eu não tivesse o direito de usar aquilo para realizar meus sonhos. Eu bebia para aguentar, para anestesiar a dor, para suportar as máscaras que precisava usar. Mas isso acabou.

Hoje, mesmo com a solidão, me sinto plena. Não tenho mais medo dela, pelo contrário, aprendi a apreciá-la. Só mantenho perto de mim quem realmente me faz bem, quem acrescenta algo de bom à minha vida. Encontrei acolhimento em uma família que não é de sangue, mas que me aceitou como sou, sem julgamentos, sem cobranças. E isso é algo pelo qual serei eternamente grata.

A vida que eu tenho agora não é perfeita. Ainda há dias difíceis, ainda há momentos em que me pego olhando para trás, revisitando dores antigas. Mas cada passo que dou é um lembrete de que sobrevivi. De que tive a coragem de deixar para trás o que me feriu, o que me destruiu, e construir algo novo. Estou longe de ser aquela menina alegre de antes, mas talvez isso seja algo bom. Porque, agora, eu sou eu mesma.

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