Frágil, cansada, vivendo vazia, como se estivesse presa em uma nostalgia que não pertence ao presente, mas a uma fantasia que nunca existiu de verdade. O peso dos dias recai sobre mim, e cada amanhecer parece mais uma repetição mecânica do que um recomeço. É como se eu estivesse andando em círculos, tentando encontrar sentido em algo que já não faz parte de mim.
Essa nostalgia, essa ilusão do que poderia ter sido, me consome. Eu me vejo visitando memórias que nunca aconteceram, idealizando momentos que nunca vivi. É uma fuga, eu sei, mas é a única coisa que parece me manter de pé, ainda que o chão esteja desmoronando sob meus pés.
A exaustão é física e emocional, um ciclo interminável de tentar preencher o vazio com qualquer coisa que pareça real. Mas tudo escapa pelos dedos, como areia, me deixando ainda mais consciente da fragilidade que carrego. Eu tento, todos os dias, construir algo, encontrar propósito, mas a sensação de que estou presa em uma bolha, isolada do mundo, só aumenta.
Às vezes, me pergunto se é a nostalgia que me prende ou se sou eu mesma quem se agarra a ela, com medo do que há fora dessa fantasia. Porque, por mais que doa, ela também conforta. É uma promessa de que, em algum lugar no passado ou no imaginário, eu era feliz. Mesmo que isso seja apenas uma mentira que conto a mim mesma para suportar o agora.
Estou cansada, mas não de forma que o sono resolva. É um cansaço da alma, um peso que carrego sem saber como aliviar. E, mesmo assim, continuo. Talvez por teimosia, talvez por esperança. Porque, no fundo, quero acreditar que existe algo além dessa prisão de nostalgia, algo mais real e mais vivo, que me espera do outro lado dessa fantasia.