Empurrando com a barriga

Sinto-me incompreendida, como se ninguém conseguisse entender verdadeiramente o que se passa em meu interior. Escrever se tornou um refúgio solitário, onde expresso apenas para mim mesma as dores e frustrações que carrego. É como se cada palavra que eu escrevesse fosse destinada a um público invisível, inexistente. Esse isolamento literário reflete o estado depressivo em que me encontro, uma sensação de fracasso por não atingir os objetivos que almejo. A falta de energia para perseguir algo mais significativo e elaborado só aprofunda esse sentimento de impotência.

A tristeza se intensifica com a ausência de apoio e de um público que incentive a criação de textos mais impactantes. O desânimo é constante e parece não haver saída. O que posso fazer além de lamentar o que não tenho? Não sou uma pessoa que encontra forças na adversidade, que vê as dificuldades como oportunidades para crescimento. Pelo contrário, minha mente é dominada por pensamentos negativos, e o destino é empurrado com a barriga, dia após dia.

A questão que me atormenta é: quanto tempo ainda tenho neste mundo? Quem, se é que existe alguém, vai me acolher? A solidão é uma presença constante, mesmo quando estou cercada de pessoas. É uma solidão paradoxal, onde me sinto parte de um todo, mas ao mesmo tempo isolada em um mundo vasto e complexo.

Será que estou chegando perto do fim? Será que estou à beira da loucura? Sinceramente, não sei. A única certeza que tenho é que vou continuar empurrando com a barriga, suportando enquanto puder. É um estado de resistência passiva, de sobrevivência em meio a um mar de incertezas e desespero.

Nessa luta interna, a compreensão parece um sonho distante. O reconhecimento, uma miragem no deserto. A vida continua, implacável, e eu sigo em frente, mesmo sem saber para onde estou indo. Cada dia é uma batalha contra a desesperança, uma tentativa de encontrar um sentido, um propósito, em meio ao caos que parece consumir tudo ao meu redor.

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